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Como é mesmo que se fala? (Parte I)

25 Apr 2016

 

 

Tenho insistido nesse tipo de post porque vejo o quanto ainda não conhecemos nossa própria língua e também por observar que a maioria de nós não se preocupa em saber qual é a forma correta ou adequada de pronunciar determinadas palavras, pois, é importante destacar, que nós temos as normas gramaticais que podemos seguir, mas não possuímos normas fonéticas que tirem as nossas dúvidas.

 

>>> Confira a Parte II deste post aqui <<<

 

Na área da comunicação e, precisamente no ramo da locução publicitária, onde quase sempre, recebemos o texto pronto da agência, muitas vezes sem direcionamento sobre a pronúncia, é preciso ficar atento às armadilhas que eles nos trazem e, se for o caso, é interessante questionar com o redator sobre como se diz aquela palavrinha capciosa ou como o cliente prefere que ela seja dita no texto.  

 

Embora, não exista o certo e o errado definidos, precisamos tomar um partido sobre como pronunciar a palavra. É importante lembrar que a fala vem antes da escrita. Esta última é a representação do que falamos, ou seja, se pronunciamos corretamente, assim também escreveremos.

 

Fiz uma pesquisa rápida e vi aqui nesse link quais são as palavras que geram mais dúvidas na hora H. Algumas têm pronúncias diferenciadas de acordo com a região do país; confira:

 

Rúbrica ou rubrica? 

                  
É absurdo afirmarmos que o “certo” é rubrica (=a sílaba tônica é “bri”), porque não tem acento na escrita. O fato é o inverso: devemos escrever sem acento, porque rubrica é um vocábulo paroxítono (pronúncia normal para uma palavra terminada em “a”). Se, com o tempo, a pronúncia /rúbrica/ for consagrada pelo uso da maioria dos falantes, a língua padrão tem a obrigação de aceitar as duas opções, como já aconteceu com tantas outras: acróbata e acrobata, biótipo e biotipo...

 

 

Pôça ou póça? Pégo ou pego? Grêlha ou grelha?

 

As diferenças regionais também devem ser respeitadas: poça (/pôça/ ou /póça/), pego (/pégo/ ou /pêgo/), grelha (/grêlha/ ou /grélha/)... Há também as diferenças entre o português falado no Brasil e o de Portugal: sílaba “tônica” aqui é sílaba “tónica” lá; sogros no Brasil é pronunciado com timbre fechado (/ô/), em Portugal é com timbre aberto (/ó/).

 

O principal objetivo do novo acordo ortográfico é unificar a grafia e não a fala. Se Portugal e Brasil pronunciam diferentemente palavras como colmeia, centopeia, assembleia e outras, isso não importa. O importante é que a grafia seja a mesma. Pelo novo acordo, o ditongo /éi/, nas palavras paroxítonas não haverá mais acento gráfico: ideia, estreia, assembleia, colmeia, centopeia...


A pronúncia “correta” de algumas palavras sempre provoca discussões. Uma das dúvidas mais frequentes diz respeito ao timbre: a vogal tônica é aberta (/é/, /ó/) ou fechada (/ê/, /ô/)? Qual é a pronúncia correta: /pégo/ ou /pêgo/; /póça/ ou /pôça/?

 

Algumas palavras apresentam diferenças quanto à pronúncia brasileira e à lusitana. No Brasil, por exemplo, pronunciamos COLMEIA, CENTOPEIA e eu FECHO (do verbo FECHAR) com timbre aberto; Em Portugal, preferem COLMEIA, CENTOPEIA e eu FECHO com timbre fechado (/ê/).

 

Há também diferenças regionais: em São Paulo, a POÇA d’água apresenta timbre aberto (/póça/) e o particípio irregular PEGO (do verbo PEGAR) é pronunciado com timbre fechado (/pêgo/); no Rio de Janeiro, a POÇA d’água tem timbre fechado (/pôça/) e ele foi PEGO, com timbre aberto (/pégo/).

 

Os dicionários Aurélio e Houaiss afirmam que a pronúncia oficial do vocábulo OBESO é aberta (/obéso/). O Aurélio faz uma observação: no sul do Brasil, é frequente a pronúncia com timbre fechado (/obêso/). Acredito que a pronúncia com timbre fechado esteja se impondo em todo o país.

 

Merecem atenção também as palavras que sofrem metafonia (mudança de timbre da vogal tônica no plural = /ô/ > /ó/): jogo – jogos; povo – povos; porco – porcos; novo – novos...

O problema é que muitas palavras não sofrem metafonia (=mantêm o timbre fechado no plural): almoços, bolos, cachorros, esposos, globos...

 

Dica:

 

Existe um velho “macete”, que não funciona 100%, mas ajuda muito: se o feminino tiver timbre aberto, o mesmo ocorrerá no plural: porco – porca – porcos, novo – nova – novos; caso contrário, todos ficam com timbre fechado: cachorro – cachorra – cachorros, esposo – esposa – esposos.

 

Uma exceção seria o SOGRO. No feminino não há dúvida: é SOGRA, com timbre aberto; mas no plural há problema: no Brasil, SOGROS apresenta timbre fechado e, em Portugal, a pronúncia é com timbre aberto.

É muita informação, não é mesmo? Mas nada que com a prática diária não seja resolvido.

 

O mais importante nisso tudo é, antes de querer mudar como a palavra deve ser pronunciada, procurar saber como o anunciante prefere que seja a pronúncia, pois, se de repente, o comercial de rádio ou TV for divulgado em uma região onde comumente se fala RÚBRICA e não RUBRICA, e isso pode gerar desconforto em quem ouve, cabe ao contratante decidir como o texto vai ser gravado.

 

Gostaram das dicas?


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Até mais!

 

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